Station 19 | CHAMA O BOMBEIRO!

Finalmente depois de meses anunciado, o spin-off de Grey’s Anatomy estreia nas telinhas americanas. A história é simples: a série irá contar a vida de homens e mulheres que têm desde a mais alta patente dentro do corpo de bombeiros até o iniciante, e, em contrapartida, vai nos mostrar as histórias individuais de cada um. É realmente como se fosse a série médica da Shonda Rhimes, só que, ao invés de doenças, as pessoas lutam contra o fogo.

De todo o piloto, o destaque vai mesmo para a protagonista Andy Herrera (Jaina Lee Ortiz), uma das bombeiras da Station 19. Já foi introduzido um pouco do que ela seria em um dos episódios de Grey’s Anatomy (14×13 – You Really Got a Hold on Me), mas neste primeiro capítulo da série, vemos algumas camadas mais profundas da personagem. Quando Andy fez sua participação em Grey’s Anatomy, vimos uma mulher forte, positiva e curiosa, e também o início de uma amizade com Meredith Grey, já em Station 19 ela mostra além disso. Suas vulnerabilidades, sua luta diária para se provar e diversas outras tramas superinteressantes que só acrescentam à personalidade da protagonista.

Diferente de Andy, temos Ben Warren (Jason George), que decidiu pela TERCEIRA VEZ mudar de profissão e continua o mesmo da série na qual saiu. É aquele típico personagem que afirma o todo tempo que sabe mais, que lutou mais que os outros para estar onde está e que precisa toda vez contar pelo que passou. É tudo muito “eu, eu, eu”. E é bom que ele (os roteiristas) melhore logo a personalidade do personagem, porque ninguém aguenta mais.

Os outros personagens secundários são bem apáticos. Não dá, a princípio, para se importar com nenhum deles. Como focaram bastante na protagonista, e até um pouco mais em Warren, os outros tiveram destaque muito menos do que o esperado. Os que tiveram bem pouco desenvolvimento, e mesmo assim nada de muito importante, foram Jack Gibson (Grey Damon), o “namorado” da protagonista, Pruitt Herrera (Miguel Sandoval), pai de Andy, que é basicamente o estopim para o desenvolvimento dessa trama, e Seth (Caleb Alexander Smith).

A introdução dos personagens Jack e Seth só veio para mostrar que vai rolar um triângulo amoroso, e ninguém merecia ver isso. Este tipo de trama, como cada vez mais se prova, já é batida e quase não funciona mais. E isso só prova também que a pior parte desses quarenta minutos foi esse triângulo amoroso que está se formando. Mas, além disso, Jack tem outra função. Ele tem uma patente maior que a de Andy e ela, aparentemente, nunca foi promovida devido ao seu capitão/pai não fazer isso acontecer. Agora, com o desenrolar das situações, isso precisou ser feito e essa disputa dos dois pode se tornar muito interessante.

Interessante, pois é uma mulher que viveu fazendo tudo pelo pai, dentro e fora do seu trabalho, e não tem seu reconhecimento. Por ser mulher, o piloto deixa isso claro. O pai não a promove ou acha que ela precisa de proteção e não reconhece como sua filha sempre esteve pronta para assumir mais responsabilidades. E tudo isso causa um impacto diretamente no personagem Jack. Todas as pessoas que assistem as séries da Shonda sabem como ela consegue fazer mulheres incríveis. Pode não acertar nos romances dessas mesmas mulheres, mas em cada uma delas e em suas individualidades, ela sabe… E bastante.

Mas, como dito, Andy é realmente a única coisa boa deste primeiro episódio. Os casos não são surpreendentes e, na verdade, são até chatos de se acompanhar. Parece que foi tudo feito de uma maneira muito simples só para serem apresentados rapidamente, nada mirabolante. Porém, ainda que simples, eles poderiam ter sido trabalhados de uma forma melhor. Nada foi empolgante e, em momento algum, mesmo quando pareciam, não dava para sentir a sensação de que os bombeiros estavam em perigo e precisavam resolver logo suas missões. A emoção que temos em Grey’s Anatomy não foi passada durante este piloto.

Falando em Grey’s Anatomy, tivemos pequenas participações de Meredith Grey (Ellen Pompeo) e Miranda Bailey (Chandra Wilson), que foram curtas, porém muito boas, e serviram para nos lembrar de que tudo ali se passa no “mesmo universo”. E, claro, de que mais pra frente, quem sabe, poderemos novamente ver um crossover entre as duas séries.

Station 19 é aquela típica série que você assiste e não ama e nem odeia, mas pelo menos fica curioso para ver pelo menos mais um episódio só para saber no que aquilo tudo vai dar. Falta, e muito, o carisma que Grey’s Anatomy tem desde seus primeiros episódios, mas tem uma protagonista bem mais interessante que a da série médica quando toda sua história começou.