Once Upon a Time | 6×18 – Where Bluebirds Fly

Da mesma forma que é impossível dizer que os erros da Once Upon a Time são apenas deslizes pouco frequentes, também não se pode negar que nos últimos episódios a série tem conseguido causar sentimentos nostálgicos muito positivos no público. Parece que os roteiristas resolveram se esforçar para tentar fazer algo bom para o final da temporada, e quem ganha com isso é o público.

Não é segredo que nos últimos anos da série a personagem que, no geral, foi mais descaracterizada e mal aproveitada foi a Zelena. A irmã da Regina foi enganada, se apaixonou de forma ridícula, foi derrotada de modo vergonhoso e ainda passou um bom tempo sendo completamente irrelevante para parte considerável da história. Uma das mais interessantes vilãs da série tinha sido reduzida a uma simples personagem secundária sem muita utilidade. Mas finalmente resolveram fazer algo a respeito.

A Zelena sempre teve uma personalidade marcante, capaz de gerar bons diálogos, e quando se encontrou novamente com sua mãe no submundo nós descobrimos que a personagem não era tão unidimensional quanto parecia, e isso só tornava sua irrelevância em situações importantes ainda mais desconcertante. Foi uma ótima ideia dedicar um episódio a ela, e melhor ainda foi o fato de que parece que o relacionamento entre as irmãs finalmente está indo em uma direção melhor depois do sacrifício feito pela antiga governante de Oz. Uma das bruxas mais poderosas da história da série tem seu grande momento de destaque positivo quando abre mão de seus poderes para proteger Storybrooke. A ironia é bem grande, mas isso só torna mais fácil concordar com a Regina: mesmo sem sua magia Zelena nunca foi tão forte.

Já a ex-Rainha Má passou um pouco de vergonha no episódio. A Regina teve basicamente duas funções em Where Bluebirds Fly: gritar com sua irmã e ficar sendo arremessada de um lado para o outro como se fosse uma bola de vôlei ou uma peteca. É difícil lidar com esse tipo de cena, especialmente no mesmo episódio onde a Zelena foi tão bem aproveitada. Não ficou clara a lição de que não é preciso jogar um personagem para escanteio (literal, ou figurativamente) para explorar outros? Entendo que novamente existe a necessidade de fazer a grande vilã parecer forte, mas precisavam fazer o Gideon lançar ela longe também? Já ficou bem claro que ele não é muita coisa.

Enquanto tudo isso acontecia, os Charmings estavam ocupados falando sobre o casamento da Emma. Já que estamos falando sobre aproveitar mal as personagens, vemos aqui o exemplo da princesa guerreira que sobreviveu muito tempo lutando contra uma bruxa extremamente poderosa e que agora enfrenta a difícil batalha que é… encontrar um local adequado para um casamento. A discussão final entre Branca e David foi boa, ver as razões por trás da forma como eles agiam rendeu uma conversa bem emocional e até pesada para a série, mas o caminho até chegar nisso foi sofrido.

Mesmo sem saber usar os personagens da melhor forma possível, Once Upon a Time conseguiu trazer novamente um pouco daquela sensação das primeiras temporadas, e isso é sempre bem-vindo. Somando isso ao fato de que a Zelena finalmente apareceu de modo positivo depois de tanto tempo, o resultado ao qual chegamos foi um episódio bom, com certeza acima da média desta temporada, e que dá a impressão de que a reta final será boa. Pena que ainda não temos o bastante para realmente acreditar nisso, mas é bom ser otimista de vez em quando.