RuPaul’s Drag Race | 9×14 – Grand Finale

E finalmente chegamos ao fim da nona temporada de RuPaul’s Drag Race e eu não poderia estar mais decepcionado com tudo o que programa me apresentou este ano. Numa loucura de RuPaul, ela decidiu que esse finale iria ser diferente. Ao invés de as drags, como estava sendo feito nos últimos anos, apresentarem uma performance com uma música original escrita para elas e apenas coroar quem ganharia, dessa vez todas se enfrentaram em uma dublagem uma contra a outra decidida em uma roleta.

É isso mesmo, foi ignorado TODO O HISTÓRICO DA TEMPORADA para, no final, tudo ser decidido através de uma performance de dublagem. E repito o que foi dito na review passada: o Top 4 deste ano foi e é um dos melhores apresentados até aqui, sem dúvida alguma, mas quem chega entre as quatro melhores não quer dizer também que merece ganhar.

Antes das batalhas começarem, tivemos momentos muito bonitos e engraçados em que celebridades falavam com cada uma de nossas queens do Top 4. Laverne Cox mandou uma linda mensagem para Peppermint sobre ser uma mulher trans; Blac Chyna para Shea Couleé e relembrando quando ela fez seu papel durante a competição. Katy Perry disse que amava Sasha; e Trinity recebeu a mensagem de Bobby Moynihan, do Saturday Night Live, torcendo para ela.

O primeiro lipsync foi Trinity vs Peppermint performando “Stronger“, da Britney Spears. Trinity se matou e ahazou o tempo inteiro na música, já Peppermint, por sua vez, foi morna durante praticamente 70% da canção e só a destruiu, numa revelação que trocava de roupa e peruca em certo ponto da música. Foi maravilhoso? Foi sim, mas Trinity merecia muito mais ter vencido essa batalha. Porém RuPaul escolheu Pepper para seguir adiante. Trinity, que tinha um histórico melhor – DE LONGE – que Peppermint, foi eliminada, não podendo mais competir pela coroa.

A segunda performance foi Sasha vs Shea com a música “So Emotional“, da Whitney Houston. Sasha foi realmente sensacional durante a performance toda. Claro que o choque velho de tirar a peruca foi usado, porém enquanto ela tirava a peruca ou as luvas, saiam pétalas de rosa, e isso foi realmente lindo. Sasha estava deslumbrante e com todo o seu look e sua performance com a emoção certa para a música apresentada. Já Shea não inovou em nada, foi totalmente normal e nem parecia estar com tanta vontade de performar. Eu a amo muito, mas não deu para defender. E claramente que Sasha venceria esse duelo, mas, mais uma vez, o histórico superior de Shea não valeu em nada e a mesma não mais competiu pela coroa.

Por fim, Sasha e Peppermint dublaram “It’s Not Right But It’s Okay“, também da Whitney Houston, e foram bem equilibradas com essa performance. As duas duelaram de igual para igual, mas nada de surpreendente foi feito. Eu fiquei totalmente impressionado com o lipsync de Sasha, não esperava que ela seria tão boa nisso. Então, RuPaul coroou Sasha como a nova drag vencedora da nona temporada.

Bom, o problema é totalmente o que já foi relatado durante esta review: o histórico não valer absolutamente nada para a decisão da coroa. Sasha foi realmente maravilhosa se tudo se baseasse só nisso mesmo, o que foi. Ela deveria ter a coroa sim. Mas todos nós acompanhamos 14 episódios do programa e vimos a evolução, a versatilidade, o carisma e tudo o que todas elas fizeram durante cada desafio, vencendo, ficando na média, perdendo e sendo eliminadas. Apagar tudo o que foi mostrado, principalmente de Shea, que tem uma trajetória linda durante o programa cheia de vitórias e ótimos desempenhos, é bem desmotivador para continuar a assistir. E não, Sasha nem de longe foi ruim, mas sempre ficou na cola de Shea, tanto que suas duas únicas vitórias é com ela, em dupla.

Mas a temporada foi toda problemática desde o começo e já o primeiro episódio serviu para nada, a não ser o enaltecimento de Lady Gaga. A edição foi muito mal feita em diversas vezes, demorou muitos episódios para que conseguíssemos nos relacionar com cada drag que ainda lá permanecia, algumas queens eram totalmente sem carisma, todos os lipsyncs foram ruins, com exceção de um ou dois… Ou seja, era óbvio que seria bem controverso no fim.

Drag Race costumava valorizar o histórico de cada uma participante, tanto que as vencedoras eram sempre as que mais se destacavam, como Sharon, Bianca, Bob e as outras. Mas dessa vez isso não ocorreu. Virou um reality show genérico como muitos outros, ignorando totalmente tudo o que foi mostrado.

Pelo lado positivo, ele deu uma nova forma ao final engessado que havia sido apresentado nos últimos seis anos. Realmente dá um certo nervoso acompanhar e ver o destino da sua drag favorita muito incerto e dependendo daquele momento para que ela se salve e continue na competição.

O que nos resta agora? É aceitar que Sasha venceu, mesmo que de forma injusta, como eu posso pensar e outras pessoas não. Mas como RuPaul sempre nos lembrou, é a decisão dela que vale. Agora é aguardar e torcer para que a próxima temporada seja melhor, porque essa foi, de longe, uma das piores de todo o programa. Aceitar a vitória, a gente aceita… Só não somos obrigados a gostar.