Crítica | A Torre Negra

Chega aos cinemas mais uma adaptação de uma obra do famoso escritor norte-americano Stephen King. A Torre Negra, história da vez, é baseada na coleção homônima de oito volumes que começaram a ser publicados em 1982. Embora também tenha uma pegada de terror, marca do escritor, este primeiro longa foge um pouco dos moldes e foca muito mais na questão de um herói e em uma batalha já bem conhecida no mundo dos filmes e livros do gênero.

Jake Chambers (Tom Taylor) é aparentemente um jovem normal, que vive com sua mãe e seu padastro aquela vida normal de um menino estranho que às vezes sofre bullying na escola, nada demais. Só há um problema: ele é constantemente atormentado por sonhos para lá de reais que incluem um homem de preto, uma torre e um pistoleiro. Para tentar entender melhor o significado dos sonhos ele desenha tudo o que vê, isso, é claro, só assusta sua mãe e seu terapeuta está convencido de que tudo é um trauma pela ainda recente perda do pai.

Como é de se esperar, os sonhos de Jake são reais, e em um mundo paralelo ao nosso o pistoleiro Roland (Idris Elba), protetor da Torre Negra, luta contra o perverso mago Walter (Matthew McConaughey), cujo objetivo é destruir a Torre e trazer caos para todos os mundos. A Torre é o que mantém o equilíbrio entre todos os mundos e somente o poder das mentes das crianças é capaz de destruí-las. Desta forma, os destinos de Jake e Roland se cruzam e juntos eles tentarão impedir Walter.

A direção é de Nikolaj Arcel (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres), que sustenta um certo tom de terror B à história, mas deixa claro que este é um filme que foca na trajetória de um herói, no caso Jake, detentor de um imenso poder cobiçado pelos vilões, mas que ao mesmo tempo não consegue se proteger sozinho e, por isso, precisa de alguém para defendê-lo. Por trás disso está a velha luta entre o bem e o mal, as tentações que o herói precisa superar para cumprir seu objetivo, além das perdas necessárias que precisa aceitar para crescer e tornar-se mais poderoso.

Este, na verdade, é um modelo já conhecido, muitos personagens como Frodo ou Harry Potter possuem essas características e essas configurações de jornadas. Já era de se esperar esse modelo, uma vez que é comprovadamente um passo certeiro para o sucesso de um filme e/ou série de filmes. Como o modelo é o mesmo, busca-se pequenas diferenças, capazes de fazer o longa se destacar, mas não é o caso aqui. A Torre Negra simplesmente cumpre sua proposta inicial, já que o herói conclui sua jornada, mas não acrescenta nada de extraordinário a seu gênero.

Vale ressaltar ainda que por trás de toda a trajetória do herói, existe um background que irá dar forma às relações que Jake constrói com os demais personagens. Assim, fica fácil afirmar que tudo na verdade se baseia nas relações pai e filho. Roland entra como pai substituto de Jake e passa realmente a tomar conta do garoto, ao passo que sua afeição por ele cresce. Até mesmo o vilão, Walter, pode ser comparado com o padastro de Jake, que queria ver-se livre do menino, usufruindo apenas do que ele tinha a oferecer. A relação entre Jake e Roland é muito importante para todo o enredo, uma vez que um dá forças ao outro e que um acredita no outro em um momento em que ninguém mais estava disposto a fazê-lo. Sem essa relação base, a jornada não seria possível.

A Torre, elemento de grande importância na história, é mais mencionada do que vista e, por mais que se fale dela, não fica muito claro para nós o que ela realmente é ou representa. É interessante que ela tenha se configurado desta maneira vaga, pois permite que tenhamos nossas próprias interpretações sobre seu significado. Ela pode de fato ser uma torre física, responsável pelo equilíbrio entre o bem e o mal, mas também pode representar uma metáfora.

O bem e o mal são forças que atuam nas pessoas e através das mesmas, cada uma possui dentro de si um centro, uma torre, que deve sempre estar equilibrado para poder viver em harmonia. Essa é uma das possíveis interpretações e, com certeza, teremos mais oportunidade de desenvolvê-la, uma vez que o final aberto do filme indica uma continuação.