Crítica | Onde Está Segunda?

Onde Está Segunda?, mais um filme original da Netflix, é uma distopia cheia de ação com uma história intrigante e surpreendente. O longa se passa em 2043, ano em que o problema da superpopulação atingiu níveis extremos e, com a escassez dos recursos, foi preciso implementar a “Lei da Alocação Infantil”, uma política que obriga as pessoas a terem apenas um filho. Caso exista um segundo filho, a criança será congelada para viver em um futuro em que o problema da superpopulação tenha sido resolvido.

O filme começa com um parto de sete irmãs gêmeas. O avô, preocupado, acaba escondendo esse segredo do governo e cria as meninas sozinho. Cada uma tem um nome de um dia da semana e elas só podem sair no dia de seus nomes, mas mantendo uma mesma identidade, a de Karen Settman, sua mãe falecida. O tempo passa, o avô morre e as irmãs mantêm o método criado por ele. Só que tudo muda quando Segunda sai e não volta para casa. A partir deste momento, começa a jornada das irmãs para descobrir o que aconteceu.

As cenas de ação, principalmente, são o grande destaque do longa, sabendo mostrar muito bem as irmãs lutando sem soar forçado e artificial. A direção de Tommy Wirkola consegue conduzir as lutas com movimentos de câmera que fazem com que acreditemos que naquele ambiente tenha sete pessoas diferentes. Porém, são nessas cenas que aparece um dos defeitos do roteiro: as irmãs sabem lutar, mas em nenhum momento a história nos conta como elas aprenderam isso, sendo que passaram praticamente a vida toda trancadas dentro de uma casa. É algo simples, mas que faz diferença quando as vemos derrotar agentes do governo, que tecnicamente se prepararam para situações de combate.

Já as atuações, a atriz Noomi Rapace, que interpreta as sete irmãs, faz um trabalho competente, mas nada memorável. Falta personalidade em algumas personagens e é até mesmo difícil distinguir uma da outra em alguns momentos. É impossível não comparar com o trabalho de Tatiana Maslany em Orphan Black, mas, aqui, Rapace passa longe do brilhantismo criado por Maslany. Ao invés disso, o destaque fica em três irmãs e as restantes são genéricas e sem personalidade. Uma falha do roteiro, mas que a atriz poderia ter melhorado.

Também é nítido a falta de orçamento no filme. Muitos cenários se repetem e os planos fechados em ambientes abertos escondem a grandiosidade que aquele futuro poderia apresentar. Contudo, Onde Está Segunda? apresenta um ritmo frenético e uma história que prende desde os primeiros minutos. Ao final, temos duas reviravoltas surpreendentes que deixam o longa ainda mais ágil e, de certa forma, assustador.

Onde Está Segunda? pode não ser o melhor filme da Netflix, mas cumpre o seu papel de entregar um bom entretenimento e uma história diferente que deixa qualquer um curioso para saber o que vai acontecer com as sete irmãs.