Crítica | Pica-Pau: O Filme

Quem estava presente no stand principal do segundo dia da Comic Con Experience 2016, pode ver com exclusividade uma prévia de alguns segundos do que viria a ser o primeiro longa do Pica-Pau. Na época, o filme não tinha data de estreia prevista, mas foi divulgado que o longa contava com a presença da atriz brasileira Thaila Ayala no elenco principal, fazendo seu debut em Hollywood ao lado do pássaro mais famoso dos desenhos animados.

Na sequencia inicial, o Pica-Pau é introduzido para o público no mesmo estilo dos desenhos clássicos da ave sacana, armando algumas emboscadas cômicas para dois caçadores no meio da floresta. Os efeitos não são dos melhores, impossível não fazer comparações com tanta coisa boa que tem sido feita ultimamente, mas para o público infantil isso com certeza não fará diferença.

Em seguida, somos apresentados ao núcleo em que Thaila está inserida. Ao lado de seu noivo Lance Walters (Timothy Omundson), Vanessa (Thaila Ayala) se muda para a floresta em um trailer depois de Lance perder o seu emprego. A personagem da brasileira é a típica esnobe, casada com um homem mais velho e que só pensa em luxo e futilidades. A atriz tem uma atuação razoável e, apesar da distribuição dublada do filme, até dá para comprar bem todas as emoções que ela se propõe em passar, que são, em sua maioria, de raiva e indignação. A personagem é rasa, por isso Thaila dá tudo o que pode oferecer de seu poder de atuação a ela e fica tudo certo.

Lance, por sua vez, é apresentado como uma pessoa sem escrúpulos e ambiciosa, que passa por cima de qualquer coisa para satisfazer sua noiva, chegando até mesmo a tentar dispensar seu próprio filho que aparece no meio dessa mudança para a floresta. O destaque fica por conta da atuação de Timothy, o único ator que consegue transcender a interpretação além da dublagem e expressar tudo o que está sentido através do rosto e dos olhos, como deve ser sempre em filmes infantis. Ele consegue fazer o público rir apenas com caras e bocas e, ao lado do Pica-Pau, é a uma das melhores coisas do longa.

Toda a confusão acontece porque eles querem construir uma casa modelo, que aparentemente será a ascensão de Lance após perder o emprego, bem no local onde mora o Pica-Pau. Deste ponto para o final do filme são diversas sequências de cenas baseadas no desenho, nas quais o pássaro ensaia se dar mal nas mãos dos construtores, de Lance, ou de caçadores, mas acaba se dando bem e atrasando ainda mais a obra da casa modelo. Previsível, mas exatamente o que se deve esperar de um filme do Pica-Pau.

Tommy Walters, interpretado por Graham Verchere, o filho de Lance, imediatamente cria uma amizade com o pássaro. Mesmo o Pica-Pau dizendo que a relação dos dois é estritamente por interesse dele pela comida que o garoto disponibiliza, fica claro que uma amizade nasce ali. Graham é, obviamente, um novato e o personagem é um pouco entediante. O bem (Pica-Pau) contra o mal (Lance Walters) é uma relação muito mais interessante do que tudo que está entre isso. E isso inclui a guarda florestal Samantha Barlett (Jordana Largy), que entedia menos por ficar claro que ela é uma parte essencial na redenção de Lance durante o filme.

Falando do personagem principal, o Pica-Pau do longa é uma mistura daquela versão maluca biruta com a outra tradicional do desenho. Ele navega entre esses dois de forma rápida que fica difícil entender se tem sentimentos ou não. A ave se mostra um personagem pouco empático e a transição do Pica-Pau sádico para o que quer uma família é tão veloz que beira o artificial, e as melhores risadas acontecem quando ele está no modo sádico.

Divertimento e a sensação de não conseguir tirar os olhos da tela trazida pelos desenhos do Pica-Pau, que marcaram a vida de muita gente, estão presentes no filme, apesar da simplicidade dos efeitos e da dublagem totalmente diferente da voz clássica do pássaro. Para adultos o filme pode ser bastante maçante, mas para as crianças pode servir como uma recreação.