Crisis on Earth-X | O maior e melhor evento de heróis já visto na TV

Não existe palavra melhor do que “épico” para definir o grande crossover das séries da CW em 2017. Maior em todos os sentidos, quando comparado com o evento do ano passado, Crisis on Earth-X foi um marco para as séries de super-heróis e provavelmente demorará um pouco para vermos algo mais incrível na televisão.

O fator determinante para esse sucesso foi, sem dúvida, a grandiosidade de todos os acontecimentos ocorridos ao longo dos quatro episódios. Logo no começo do evento, lá no episódio de Supergirl, já fica claro que a base para tudo é a sensação de grandiosidade. Qualquer veracidade seria ignorada, coisa que fica clara com a flechada do Oliver que tira um ninja do chão e ainda consegue arremessá-lo através de uma parede. E se em Arrow isso seria bem ridículo, aqui acaba funcionando quando combinado com tudo o que está para acontecer.

E isso é só um entre muitos exemplos: o grande combate final envolvendo todos os heróis e o exército de nazistas, a batalha entre as Waveriders, os múltiplos confrontos entre as duas versões diferentes da Supergirl, o confronto envolvendo Barry, Ray e o Tornado Vermelho, tudo isso foi absolutamente incrível, com proporções enormes se comparadas aos eventos das séries individuais. Esse ar grandioso que permeou todas as quatro partes do crossover com certeza fez com que assistir a tudo isso fosse uma ótima experiência, boa o bastante para que ficasse fácil ignorar por um tempo a falta de sentido de alguns eventos.

Claro que mesmo sendo um “problema ignorável”, essa falta de veracidade ainda pode ser um pouco questionada, especialmente quando ela se confunde com falta de atenção aos detalhes. Os combates envolvendo muitos personagens por vezes apresentavam momentos nos quais a coreografia de luta era risível, e um bom exemplo foi a luta no galpão anterior à captura dos heróis por parte dos vilões. Em alguns momentos ficou claro que os nazis estavam esperando sua hora de entrar na briga, e em outros eles levavam um empurrão e caiam inconscientes.

Esses erros já apareceram antes, mas aqui ficou bem óbvio. Pelo menos houve um contraponto para isso: as lutas individuais, ou envolvendo menos pessoas, foram muito bem coreografadas, com destaque para a luta entre Sara e Alex contra Prometheus na igreja (aliás, quem diria que um turíbulo poderia ser uma arma. Isso foi bem divertido), o combate mortal envolvendo a versão malvada do Oliver e o Jimmy Olsen da Terra-X e o combate entre o arqueiro maligno e parte do Team Arrow nos laboratórios Star.

Mas mesmo toda essa ação, desde as lutas menores até as batalhas campais, não conseguiria criar sozinha um evento tão incrível. Por mais que ela tenha sido o fator que mais chamou atenção, é impossível negar que houve mais elementos importantes neste crossover, e estes seriam o drama e a comédia. As tiradas cômicas apresentadas ao longo dos quatro episódios foram muito bem colocadas, em nenhum momento a comédia pareceu forçada e por isso ela ofereceu um alívio bom de todo o peso dos outros eventos. Desde coisas sutis, como a reação do Barry ao ver o Oliver de terno, até cenas maiores, como a conversa entre Kara, Sara e Alex logo antes do casamento, tudo se encaixou bem e alguns momentos realmente fizeram rir.

O fato de que a comédia foi boa é muito importante, porque aconteceu muita coisa séria ao longo dos episódios e esses momentos cômicos acabaram sendo necessários. Entre eles teve destaque o relacionamento de Oliver e Felicity. É verdade que muitos fãs já não querem mais esse casal, mas agora eles realmente têm uma chance de dar certo e as interações entre eles estão bem interessantes. Durante o crossover alguns momentos pareceram forçados, mas no geral as discussões envolvendo o casal faziam sentido e foram apresentadas na medida certa. O casamento entre eles acabou sendo uma boa consequência e agora só nos resta esperar para ver como será o futuro do casal. Se não der em nada, pelo menos a cena do casamento marcou a presença do Diggle, que sempre é engraçado quando o Flash está junto.

Infelizmente nem todo drama foi romântico ou teve um final feliz. As cenas do campo de concentração foram relativamente pesadas, e mesmo não mostrando muito do que acontecia com aquelas pessoas, a ambientação extremamente sombria e a cena com o pelotão de fuzilamento conseguiram passar bem a mensagem de como esse mundo inimigo era um lugar horrível. A marca nas roupas mostrando os “crimes” cometidos pelos prisioneiros foi um toque interessante, especialmente porque foi uma forma inteligente de apresentar Ray ao público e nos contar mais sobre quem ele é.

Para quem gosta de detalhes, essas cenas também trouxeram uma referência histórica bem grande: na entrada para o campo de concentração onde os heróis foram presos, havia uma placa com a frase “Arbeit macht frei“, que em português significa “O trabalho liberta”. Durante a Segunda Guerra Mundial, essa frase foi usada na entrada de vários campos de concentração reais, inclusive no famoso campo de Auschwitz.

Mas entre os dramas românticos e cenas expondo (de modo relativamente contido) o horror nazista, também houve espaço para momentos muito tristes para as séries de herói. A morte de Martin Stein foi inesperada e extremamente triste. No final do terceiro episódio ainda havia a chance de que ele seria salvo de alguma forma milagrosa, mas não foi assim que aconteceu. Ele nunca terá chance de ver seu neto crescer e Legends of Tomorrow perdeu um dos seus personagens mais marcantes. Tanto a cena do enterro quanto o momento em que Jackson dá a notícia para a família do Martin foram bem fortes e com certeza fizeram muitos fãs derramarem algumas lágrimas.

Pelo fato de que tudo isso que foi discutido aqui aconteceu e principalmente pela forma como todos os acontecimentos se deram, Crisis on Earth-X foi o maior e melhor evento de heróis que a televisão já viu. Sem medo de matar personagens importantes, com ação em proporções épicas, drama e comédia na medida certa, além de saber explorar bem uma quantidade enorme de ótimos personagens, este foi muito maior do que poderíamos esperar e conseguiu ao longo de suas quatro partes prender o público na frente da tela, sem nunca perder o ritmo. O único problema aqui é que agora todo crossover terá que superar as expectativas criadas pela qualidade deste, mas se isso é o “ponto negativo” mais notável, então provavelmente nós não temos que nos preocupar muito.