Game of Thrones | 7×05 – Eastwatch

Eu não sei o que está acontecendo com essa segunda metade do sétimo ano de Game of Thrones, mas infelizmente continuo com a sensação de que algo está se perdendo. Nunca fui um fã xiita d’As Crônicas de Gelo e Fogo e sempre defendi a série daqueles que tentavam diminuí-la com comparações bobas. Afinal, se você não entende o conceito de adaptação, não veja uma. O problema dessas duas últimas horas é que a série passou a deixar de lado certas regras que ela mesma construiu ao longo dos anos e aquele cuidado com tramas, distâncias e maquinações está dando lugar à pressa vazia.

Reparem que na cena inicial Bronn questiona Jaime sobre a distância entre Jardim de Cima e Porto Real no meio de uma estrada pós-guerra só para na próxima cena já acompanharmos a chegada do Regicida na Fortaleza Vermelha. Algo parecido vai se repetindo várias vezes durante o episódio, numa linha de tempo tão zoada que eu me perguntei se todos aqueles acontecimentos não haviam se passado num intervalo de um ano. Confesso que eu não queria bancar o chato e reclamar dessas distâncias no mapa estranho de Westeros, mas é que Game of Thrones estabeleceu durante seis temporadas que andar pela Estrada do Rei e pelos mares da série era tão árduo quanto demorado. Há limites para suspensão de descrença. Uma, duas, três vezes vai, mas seis num mesmo episódio aí não dá mais.

O engraçado é que no meio de tudo isso eu estou numa relação de amor e ódio com Dany. Me arrepiei de verdade na cena do julgamento dos Tarly e ali sim eu vi um reflexo do empolgante desfecho de The Spoils of War. Entendo a preocupação de Varys e Tyrion, mas é chegada a hora de Dany mostrar força e que pode tomar decisões cruéis e necessárias. Mas daí os roteiristas começam a empurrar uma forçada relação entre a Mãe dos Dragões e Jon, colocando tudo por terra. Não estou nem falando do momento Como Treinar o seu Dragão, mas sim dos olhares lânguidos que a rainha soltou para o sobrinho depois disso. Eu não sou shipper de Daenerys com Sor Jorah, porém depois de seis anos a relação dos dois faz mais sentido do que esse novo sentimento por Jon Snow.

A visita da comitiva “secreta” de Daenerys a Porto Real também me deixou dividido. Se de um lado o reencontro entre Tyrion e Jaime deu chances para Peter Dinklage (apagadíssimo desde a temporada passada) e Nikolaj Coster-Waldau brilharem, no outro o retorno de Gendry entra fácil para lista de piores lampshades da série. Todo mundo sabe que o bastardo do Rei Robert no barquinho era piada desde a quarta temporada, mas daí a colocar Davos para recrutar ele como guerreiro, depois como ferreiro, depois como guerreiro de novo, foi tão ruim que não deveria nem ter existido. Eu ficaria bem com um encontro simples entre Gendry e Arya no fim da série, já que aqui tudo soou como uma resposta vaga dos showrunners para aqueles que apontavam o rapaz como um dos esquecidos pelo show.

Ainda na parcela do que me agradou em Eastwatch, está Gilly esclarecendo os eventos confusos da Torre da Alegria num diálogo avulso. Então, no fim de tudo, Jon Snow nunca foi um bastardo, não é? Para aqueles que não pegaram, a cena mostrou a selvagem descobrindo aleatoriamente que o casamento do príncipe Rhaegar com Elia Martell foi anulado por um septão de Porto Real e, provavelmente, o herdeiro Targaryen se casou com Lyanna Stark na Torre da Alegria. Jon não é só um dos últimos com sangue Targaryen em Westeros, ele acaba de se tornar o primeiro na linha sucessória do Trono de Ferro.

A formação do esquadrão suicida em Atalaialeste também me agradou pela vibe Sete Homens e um Destino. É sempre bom ter a chance de ver o Cão de Caça e a Irmandade Sem Bandeiras em ação, e semana que vem o episódio promete redefinir parte do que conhecemos da série. Nesse lance de redefinir, eu também espero encarecidamente que vejamos o fim de Mindinho. Todos os conchaves em Winterfell soaram contraditórios e seguiram na direção oposta dos reencontros que assistimos na semana passada. Uma pena.

Faltam dois episódios para entrarmos num hiato de prováveis dois anos sem Game of Thrones, e tomara que a série encerre a simbólica marca de sete temporadas com uma nota espetacular. A gente precisa disso para aguentar esse intervalo.

P.S.1: Cersei grávida e onipresente em Porto Real. A leoa é sim a imagem do temível e saudoso Tywin como vilão.

P.S.2: Eu espero muito que o coitado do Sor Jorah não tenha retornado para sua rainha e eterno amor só para morrer nas mãos dos White Walkers. O personagem merece mais depois de tudo o que passou.

P.S.3: Sam foi mesmo embora da Cidadela dos meistres sem saber que é o único herdeiro da sua casa? Sacanagem se sim. Quero o Sam Matador dono de castelo.